ANTONIO CONTADOR

PROJECTS —
2019
        APOGÉE ET DÉCLIN #3
        FM - PUBLICATION
        FM - WALL PAINTINGS
2018
TCA #6
TCA #5
TCA #4
APOGÉE ET DÉCLIN #2
FM - SEL SOLAIRE
2017
FM - CABIDELA
FM - PUBLICATIONS
MONUMENT TO THE CHICKEN #2
2016
TCA #3
APOGÉE ET DÉCLIN #1
L
2015
FM - TALK & WALK
FM - PUBLICATIONS
FM - BROADCAST
FM - TALK
FM - WALK
TCA #2
MATÉRIAS BAIXÁS #2
OLUR #3
OLUR #2
2014
MATÉRIAS BAIXÁS #1
SAM
2013
FM - PRINTS
TU TE TUS
S
2012
MARCHE FUNÈBRE...
TCA#1
JE N’Y SUIS POUR RIEN
10 KM POUR RIEN
STIMULO
2011
MONOLOGUES EN COURANT POUR RIEN
2010
MONUMENT TO THE CHICKEN #1
OLUR #1
SENTINELLES
J’AI BIEN DÉTRUIT TA LETTRE
2009
MONOLOGUES WHILE WALKING UP THE STAIRS...
2007
PERSIFFLEUR


CURATING & AL. — 
2017
DEEEP
2014
TFR #3
2013
FLAMME PARPAING
2012
REVISITING ERNESTO DE SOUSA IN KASSEL
TFR #1
LE CHAT EST DANS LA FORÊT
2011
NOT YET
2005
RUIDOSO


PRESS —
2017
LE RÉPUBLICAIN LORRAIN
REVUE DIALOG
2016
LE TÉLÉGRAMME
OUEST FRANCE
2014
LE QUOTIDIEN DE L’ART
2013
UP MAG. (TAP - AIR PORTUGAL)
FROG


PAPERS & BOOKS (AS AN AUTHOR) 
2018
DA OPERÂNCIA E INOPERÂNCIA...
2017
THE ARTIST’S WITHDRAWAL... A NOÇÃO DE ESPERA...
2010
VERS UNE ESTHÉTIQUE DE L’ATTENTE
2004
SLAVES, CANNIBALS, BLACKS AND DJS...
2001
MUSIC AND THE IDENTIFICATION PROCESS OF THE YOUNG BLACKS IN PORTUGAL
BLACK YOUTH CULTURE IN PORTUGAL
1998
GENERATION CONSCIOUSNESS AND
ETHNICITY: FROM THE 2nd GENERATION TO THE NEW LUSO-AFRICANS

1997
RITMO E POESIA: OS CAMINHOS DO RAP






Mark
RITMO E POESIA: OS CAMINHOS DO RAP
Livro - Assírio & Alvim ed.


Fotos: Patrícia Almeida


Introdução (por Alexandre Melo)

"O meu primeiro contacto com o rap teve Iugar em Nova Iorque na última noite de 1983, na festa de passagem do ano do Roxy, então Iugar de eleção da cena hip hop. Programa completo. Parada de limousines à porta. Todas as pessoas revistadas à entrada para evitar facas e pistolas que se iam amontoando a um canto. Tudo como nos filmes. D] Afrika Bambaataa e Dj Jazzie Jay entre os muitos nomes anunciados. Artistas de graffiti, como Futura 2000 e Zephyr, durante toda a noite, decoraram as paredes. Perguntei a .um “breaker” de 14 anos, muito espectacular, como é que tinha começado com aquilo. Explicou que tinha visto Michael Jackson na televisão e decidira começar a dançar. Desceu à rua e viu os outros miúdos a fazer coisas que ele não era capaz de fazer. Meteu-se em casa a treinar e quando voltou a sair à rua já fazia tão bem ou melhor do que eles. Pela mesma altura um filme como Wild Style, reunindo Fab Five Freddy, Lady Pink, Grandmaster Flash e a Rock Steady Crew, colocava - a propósito da carreira de um pintor de graffiti a quem é oferecida uma oportunidade numa galeria comercial - a questão da possibilidade e do significado da integração dos artistas de rua nos circuitos normais de produção e distribuição artística. Dias depois, na Fun Gallery, uma galeria dirigida por Patti Astor, onde Fred Brathwaite - o outro nome de Fab Five Freddy - expunha uma série de telas pintadas a graffiti inspiradas em imagens de Lichtenstein, assisto a uma discussao entre o autor e uma equipa de vídeo francesa que não lhe quer pagar os cem dólares que ele exige para conceder uma entrevista. Mais tarde, em conversa com Rudolph, que era então um dos grandes patrões da noite nova-iorquina, este diz-me não acreditar que a cena hip hop possa ter um grande futuro. “É demasiado étnico para ter êxito nos Estados Unidos.” Pelos vistos, Rudolph não tinha razão. Fab Five Freddy tornou-se uma vedeta da MTV, depois desta estação se ter recusado, durante muitos anos, a divulgar rap. Assim sendo, o triunfo da cultura hip hop mostra-nos duas coisas: já não existe uma contradição insanável - embora continue, provavelmente, a existir uma contradição - entre a afirmação de uma forma cultural específica e a sua difusão massiva à escala global: o multiculturalismo não é apenas um chavão teórico mas a expressão de uma efectiva e crescente pluralidade cultural. Nesta medida, a afirmação multiculturalista é talvez o mais substancial resultado da dinâmica pós-moderna e assinala um momento fundamental na ruptura com o etnocentrismo da tradição cutural ocidental. Mas a cultura hip hop mostra-nos ainda, seguramente, muito mais coisas. Para saber quais, dispomos agora deste livro, cuja produção eu tive o gosto de ir acompanhando desde o momento em que António Contador e Emanuel Ferreira me propuseram o rap como tema para um trabalho no âmbito da cadeira de Sociologia da Cultura no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) até ao momento em que acabo de escrever este prefácio. A partir de agora o livro está no lugar onde deve estar: na rua."

O livro na íntegra︎